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29/jun/2018

Tratamento realizado com eletrodos que estimulam áreas do cérebro produzem resultados benéficos surpreendentes em pacientes com compulsão por comer.

Comportamentos compulsivos que buscam recompensas, incluindo consumo de alimentos saborosos, são sustentados pela ativação dos neuro-circuitos de dopamina mesocorticolímbica, resultando na liberação extracelular de dopamina no cérebro e, consequentemente, causando uma sensação de bem-estar e satisfação.

Cientistas descobriram que a ativação de neurônios específicos no cérebro induz à compulsão alimentar. O estudo foi conduzido para investigar os mecanismos por trás dos comportamentos de compulsão alimentar que podem se tornar comuns na doença de Parkinson. Os cientistas criaram um grupo de vírus e os injetaram em uma parte do cérebro de ratos – um processo chamado optogenética. A ativação dos neurônios causou compulsão alimentar quase que imediatamente.

O transtorno da compulsão alimentar periódica só recentemente foi reconhecido como um distúrbio alimentar. Outros distúrbios como anorexia e bulimia ganham mais atenção por causa de sua gravidade. No entanto, o transtorno da compulsão alimentar tornou-se um problema generalizado, assumindo o lugar de principal distúrbio alimentar recorrente e muito comum entre pacientes do sexo masculino.

Compreender a maneira como o cérebro reage e responde aos alimentos é essencial para o desenvolvimento de novos métodos de tratamento para transtornos alimentares. Parte comportamental, parte compulsiva e parte habitual, os transtornos alimentares mudam a maneira como o cérebro responde à comida, ao peso e à imagem corporal. O estímulo cerebral é, muitas vezes, a razão pela qual a compulsão alimentar existe, e o mesmo estímulo cerebral pode ser utilizado como combate a esse distúrbio.

Pessoas que vivem com transtorno da compulsão alimentar periódica não são capazes de autocontrole quando começam  a comer. Apesar dos sentimentos de estarem cheios e quererem parar, sentem-se psicologicamente como se não pudessem parar de comer.

Tratamento por estímulos cerebrais contra distúrbios alimentares

Cirurgias bariátricas costumam ter um ótimo resultado na redução de peso e os pacientes procuram seguir uma nova dieta, mais saudável, para manterem sua qualidade de vida. Entretanto, alguns casos não podem ser resolvidos simplesmente por meio de cirurgias gástricas, uma vez que a compulsão é um distúrbio que ocorre no cérebro.

Alguns pacientes acabam ganhando peso e retomam sua compulsão por comer mesmo após as cirurgias. Nesses casos, é necessário uma medida mais extrema. Assim, médicos e psiquiatras acabam optando por uma decisão drástica, que consiste no implante de um dispositivo elétrico no cérebro do paciente – uma terapia conhecida como estimulação cerebral. É um tratamento frequentemente utilizado para aliviar os sintomas do mal de Parkinson e da epilepsia.

O dispositivo envia estímulos para determinadas áreas do cérebro, interrompendo a ‘programação original’ da compulsão por comer e eliminando o desejo insaciável. Esse tratamento não apenas ajuda a combater a depressão, ansiedade e compulsão por comer, como tem mostrado ótimos resultados na redução de peso.

O estímulo cerebral profundo permanece controverso, mas não é um tratamento novo. Ele remonta aos anos 1930, quando os neurocirurgiões não eram tão cautelosos quanto são hoje. Foi o neurocirurgião Wilder Penfield quem primeiro desenvolveu uma técnica ousada para tratar a epilepsia. Ele estimularia diferentes partes do cérebro com uma sonda elétrica, mantendo os pacientes acordados durante o processo para entender o efeito. A ideia era que a área do cérebro causando um problema pudesse ser identificada e destruída.

Como outros transtornos alimentares, o transtorno da compulsão alimentar é muitas vezes uma resposta ao controle – ou a falta dele. Os transtornos alimentares são um caminho para as pessoas que se sentem terem perdido o controle em suas vidas – do controle das pessoas, dos lugares, das coisas que aconteceram com elas, das coisas que sentem ou das coisas que não sentem.

Perder o controle da comida, do peso e da imagem é uma manifestação de não ser capaz de controlar qualquer outra coisa na vida. O transtorno da compulsão alimentar pode causar problemas digestivos, problemas cardíacos e sintomas de outras condições de saúde mental, como depressão e ansiedade. Lidar com a incapacidade de controlar a comida é um desafio a ser enfrentado na vida. E, por isso, os tratamentos por meio de estímulos cerebrais podem ser a última opção para quem sofre desse mal.


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19/jun/2018

Uma pessoa pode realmente ficar viciada em comida? Descubra aqui a verdade sobre o vício em comer e conheça os padrões comportamentais que podem indicar problemas na sua relação com os alimentos.

A dependência alimentar é real e acontece com muitas pessoas. A comida é sua fraqueza? Você é incapaz de controlar seus desejos? Costuma se sentir insatisfeito, apesar de seu estômago estar cheio? Você pode estar sofrendo de dependência de comida.

Sempre ouvimos que tudo na vida deve ser feito com moderação, incluindo a comida que você come. No momento em que essa linha é cruzada, isso se torna perigoso e passa a se assemelhar ao vício em drogas.

Quando uma pessoa consome heroína, seu cérebro torna-se fisiologicamente dependente da droga e seus padrões comportamentais são criados conforme a necessidade de consumo. Isso é o vício: o usuário precisa da heroína tanto de forma biológica quanto comportamental. Quando ele não a obtém, ele a deseja, mesmo que não goste mais e saiba que a droga é ruim para ele. Se a droga é suspensa por tempo suficiente, o viciado experimenta sintomas de abstinência.

Algumas pesquisas nos EUA traçaram vários paralelos entre a heroína e a comida. Primeiramente, drogas e comida causam igualmente uma sensação de bem-estar. As drogas percorrem o caminho da ‘recompensa’ no cérebro que foi originalmente criado para a comida, ao longo da evolução.

Por isso, o desejo pelas drogas é uma versão extrema do sentimento de fome e satisfação que vem do ato de comer.

Mas afinal, o que é o vício em comer?

Por mais simples que possa ser, a dependência alimentar é definida como um relacionamento pouco saudável com a comida e, na maioria dos casos, refere-se ao vício em ‘junk food’ (lanches, doces, salgadinhos, etc.). A comida tende a acionar os centros de prazer e recompensa no cérebro. As pessoas que são viciadas em comida experimentaram um aumento da produção de dopamina, que controla o sentimento de prazer e recompensa do cérebro – a dopamina também é produzida no uso de heroína ou cocaína.

Isso faz com que a pessoa queira cada vez mais a comida. Cresce o desejo por alimentos altamente palatáveis, como os ricos em açúcar e gorduras. As recompensas obtidas ao comer esses alimentos ativam os sinais que o cérebro fornece ao sentir-se pleno e satisfeito.

É importante esclarecer que não existe o vício em comida, e sim o vício de comer. Muitos pesquisadores argumentam que, em vez de pensar em certos tipos de alimentos como viciantes, seria mais útil falar de um vício comportamental no processo de comer e na ‘recompensa’ associada a ele.

O termo ‘vício por comer’ enfatiza o componente comportamental, enquanto ‘vício por comida’ parece mais um processo passivo que simplesmente acontece com o indivíduo, o que não é verdade.

Você é viciado em comer?

Embora possa levar muito tempo para que as consequências ocorram fisicamente, você começa a se sentir emocionalmente esgotado. O ganho de peso devido à alimentação excessiva começa a parecer uma consequência aceitável. Esses e outros comportamentos podem indicar que você é viciado em comer.

Ingerir alimentos gordurosos e cheios de açúcar pode causar danos ao coração, o que pode levar a um aumento nos níveis de colesterol e da pressão sanguínea. Ser viciado em comer pode ser mais complicado do que você pensa e difícil de diagnosticar, por isso, fique atendo aos seis sinais descritos abaixo.

1 – Você se entrega compulsivamente a comer demais? O excesso compulsivo é uma forma de mudança comportamental que se mostra fisicamente quando se é viciado em comer. Você fica tão preocupado com o hábito de comer que nem percebe os outros hábitos que desenvolve.

2 – Você come mais e mais apenas para descobrir que não está satisfeito com essa quantidade. Isso começa a sobrecarregar você emocionalmente.

3 – Mesmo depois de se alimentar com a quantidade correta de nutrientes necessários, você continua a querer mais e os desejos atingem um nível perigoso, de uma forma que você não pode controlar sua vontade por mais comida. Especialmente comidas ricas em trigo, açúcar ou gorduras.

4 – Quando você começa a se alimentar, acha difícil parar de comer de tal forma que experimenta uma sensação de estar “cheio” excessivamente no final da refeição.

5 – Quando você se alimenta demais, acaba se sentindo culpado por comer aquela pizza ou aquela sobremesa. Na hora pode parecer normal, mas depois você se questiona e se arrepende muitas vezes. Mesmo assim, a culpa não atrapalha seu desejo por comer mais.

6 – Você se sente envergonhado e esconde seus hábitos pouco saudáveis dos outros. Você se sente consciente do problema e tenta esconder seu comportamento, evitando comer na frente de outra pessoa. E sente-se estressado e desconfortável ao pedir alimentos menos saudáveis quando está com seus colegas.

Diagnosticar o fato de que você é viciado em comer é o primeiro passo para a recuperação. Evite alimentos que ativam o botão de prazer no cérebro. Faça uma lista desses alimentos ‘proibidos’ para se lembrar dos efeitos prejudiciais que eles podem causar em seu corpo e em seu cérebro e, conscientemente, você começará a fazer um esforço para resistir.

Se isso não funcionar, procure ajuda profissional. A dependência alimentar é um problema sério, mas a falta geral de consciência das causas e consequências desse problema dificultam seu diagnóstico e tratamento.